EM BREVE TEREMOS NOVIDADES.
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28 de out. de 2014

A gente sempre ganha




Perder não é fácil. Perder um jogo, perder uma aposta, perder uma eleição, perder um amor, perder um ente querido. A percepção que, sobressalente à perda, fica a conquista, só acontece com o tempo. Se ganha o que ficou, se ganha a lembrança, se ganha a experiência. Mas para enxergar isso, é preciso estrada. A quilometragem suficiente para ver as coisas com certo distanciamento. E isso, com muito esforço, só a vivência nos traz. Só a maturidade sossega o coração. Se para um adulto é difícil conviver com o luto, imagina só como isso se processa na cabeça de uma criança de três anos? A vida pra ela é o que ela pode ver, o que ela pode tocar, o que ela pode viver. Imagina pensar no nunca mais? Dá curto-circuito. É preciso ter cuidado.

Penso que a nossa sociedade ocidental não está preparada para lidar com a morte. Penso que essa conscientização deveria fazer parte da nossa educação. Se a morte é a única certeza que temos, por que então não tratá-la como algo natural? Por que sempre envolvê-la num profundo sentimento de dor? Por que não trabalhar esse sentimento desde a infância para que a criança possa seguir com o coração melhor preparado para aceitar o inevitável que é conviver com a morte?

Segundo Freud, em sua obra Nós e a Morte, "nós criaturas civilizadas tendemos a ignorar a morte como parte da vida… no fundo ninguém acredita na própria morte, nem consegue imaginá-la. Uma convenção inexplícita faz tratar com reservas a morte do próximo. Enfatizamos sempre o acaso: acidente, infecção, etc., num esforço de subtrair o caráter necessário da morte. Essa desatenção empobrece a vida…".

Há algum tempo venho pensado nisso. Em como ajudar os meus filhos a enxergar a morte de forma mais natural. Entretanto, hoje quem ficou surpresa fui eu. Liguei para a minha casa e recebi a seguinte notícia do meu filho: "mamãe, Léo (cachorro) está doente e vai morrer". Tomei um susto. Primeiro, porque não estava preparada para ouvir o meu filho falando de morte de forma tão direta; segundo, porque era eu quem deveria dar essa notícia pra ele, não o inverso. Desviei a minha rota. Faltei o curso de inglês e fui pra casa. Preocupada com a cabecinha dele. Preocupada com a objetividade da declaração. Preocupada com o acesso dele ao mudo finito. Preocupada com a tristeza que isso poderia lhe causar. Decidi que conversaria com ele, que desmentiria a história e a recontaria gradativamente até ele estar preparado para ouvir a verdade. Depois vi que quem não estava preparada era eu.

A gente se engana quando acha que nossos filhos nunca ouviram falar em morte. Ela está nos livros infantis, nos filmes, nos desenhos, nas notícias da TV, nas conversas das pessoas na rua. Também está naquele pernilongo que ela vê morto, nas flores que murcham no vaso. As crianças encaram a morte de forma mais natural, os adultos que a complicam. A diferença é que cada idade tem a sua própria percepção da morte. As crianças de até três anos não conseguem perceber claramente que a morte é definitiva e irreversível, mas entendem que esta perda ocasionará a ausência da brincadeira com aquele ente que morreu. Aos cinco anos, as crianças já começam a entender a irreversibilidade. Aos sete, a crianças já têm vínculos sociais melhor estabelecidos e sentem mais a perda. Aos dez anos, as crianças conseguem administrar melhor esse sentimento, mas somente aos doze anos, todo o processo de morte é entendido pela criança.

Especialistas dizem para não escondermos nada, que não podemos poupar os pequenos. Desculpe o desserviço, mas eu discordo.  Acho que a informação deve ser dita à medida que a criança for tendo maturidade em absorver, mas sempre com honestidade e sensibilidade. Não precisa falar tudo, muito menos de uma vez. É importante preparar a criança, mostrar o processo para que a informação vá chegando de forma natural e compreensível. Dê a explicação que você acha que o seu filho conseguirá alcançar. Seja simples e espere pelas dúvidas de seu filho. Temos o hábito de antecipar a angústia da criança pela nossa própria e, por vezes, damos informações além das que ela precisa e pediu. Dê tempo para ela compreender tudo.

Acho que um bom caminho é ir educando seu filho através de exemplos práticos do ciclo da natureza. Semeie uma plantinha e vá mostrando como ela nasce, cresce, adoece e morre. Aquele feijãozinho plantado no algodão pode ser um ótimo aliado. Cantigas, livros infantis e filmes que tratam do assunto também ajudam. É importante que, com exemplos simples, inseridos de forma natural no dia a dia, a criança comece a entender o tripé que dá sustentação à perda: a universalidade (tudo que é vivo um dia vai morrer); a irreversibilidade (quando morre, não há volta); e a não funcionabilidade (depois de morto, o ser não corre, não dorme, não pensa, não age).

Ensinar o outro a conviver com a morte é um aprendizado, pois nunca estamos preparados para entender o inexplicável. Precisamos apenas aceita-lo.  O tema é muito profundo, compreende diversos estágios, mas, como aqui não se trata de um artigo científico, fico restrita à minha percepção que, certamente, divido com outros pais. Lidar com a dor da perda é sempre difícil, seja qual for a crença ou cultura. Mas, dependendo de como a separação é encarada, o impacto pode ser amenizado. Cabe aos pais, oferecer o preparo necessário para que as crianças consigam colocar o sofrimento no nível da consciência e, assim, administrá-lo. O mais importante para todos aqueles que ficam nesse mundo é encontrar a própria fonte de força para superar esse momento de grande tristeza. Porque se ganha muito mais do que se perde. É uma questão de escolha, de como você vai encarar a morte. Para mim, parece injusto reduzir a vida à morte. Mais que isso, é um desperdício; pois o que vale é o que se passa nesse ínterim. Todas as experiências acumuladas, todo o amor recebido. Sejamos gratos. A gente sempre ganha.


7 de set. de 2014

Lego




Antes de ter filhos, visitava a casa de alguns amigos que tinham filhos pequenos e percebia que a casa tinha perdido a sua personalidade e havia sido redecorada pelas crianças. Sempre era a mesma visão: a casa oca, sem nenhuma decoração, móveis espremidos nos cantos da sala e todos os objetos no alto das mais altas prateleiras. Só existia espaço para os diversos brinquedos espalhados pelo chão. Sempre achei lindo brinquedo de criança, mas confesso que aquela visão me passava uma sensação de descontrole e desorganização.


Conversei com algumas pessoas e pensei: os meus filhos vão nascer na minha casa e vão herdá-la do jeitinho que ela é. Pensei que era importante para a segurança emocional deles, perceber que o novo ambiente ao qual estariam inseridos, tinha personalidade e limites. Que a casa era deles, mas que eles tinham que se adaptar a ela. Pequenas mudanças foram feitas com muita atenção para preservar a segurança física das crianças: portas de segurança na escada (para subir e descer) e na cozinha; telas de proteção na casa inteira; proteção de tomadas e outras pequenas coisinhas. Nenhum móvel foi tirado de lugar, nenhum item foi remanejado. A casa inteira sempre esteve à disposição, nenhum inocente item de decoração ficou inacessível. E com a presença constante de adultos, eles foram aprendendo a respeitar a rotina da casa, a tocar nos objetos sem quebrá-los, a devolvê-los quando os tirassem do lugar. Sem neurose, sem stress.


Ficava feliz em ver que a minha vida estava completa e em harmonia. Ficava orgulhosa quando íamos na casa de parentes e amigos e eles não precisam tirar nada do lugar para nos receber; ficava satisfeita quando, naturalmente, as crianças brincavam com os objetos e os devolviam para o lugar certo. Não existia a ânsia de pegar tudo ao mesmo tempo e jogar pra cima, em vez disso, existia a tranquilidade de poder brincar tranquilamente, desde que com o olhar atento (e calmo) de um adulto. Respeitar o ambiente das crianças e fazê-las compreender o nosso. Acho que esse é o ponto.


Adoro brincar com os meus filhos. Fazer bagunça junto é uma delícia, curtimos muito! É chuva de cartas, guerra de travesseiros, cabanas de lençol, esconderijo de almofadas, quebra-cabeças, jogo da memória, massinha, desenhos, pega-pega, esconde-esconde e muito mais. E, depois de toda a estripulia, arrumar tudo é parte necessária da diversão. Educar crianças a serem responsáveis e independentes é dever dos pais. (Fala a verdade, coisa deprimente é ver um marmanjo sem capacidade de levantar a tampa do cesto de roupa suja ou sem conseguir pendurar uma toalha molhada...).


Hoje, ando pela casa e vejo como ela ficou mais bonita, mais colorida, mais feliz. A varanda ganhou status de playground. E, vira e mexe, surge pela casa obras lindas dos artistas mais amados do mundo. Ah, o que seria da minha vida sem algumas pecinhas de lego para enfeitar o meu dia?


21 de jul. de 2014

Os Diferentes Tipos de Mães



O texto (anexo) é lindo. Fala dos diferentes tipos de mãe.

Fiquei pensativa. Comecei a me questionar.

Li os comentários referentes, buscando uma saída.
...
O que eu escreveria?
Que tipo de mãe sou eu?
...
Sempre tive ajuda: babá, (ex) marido, mãe (ficou o primeiro mês comigo em SP). Mesmo com toda ajuda, tinham coisas que não podiam ser delegadas.

Coisas que só a mãe resolve.

É a amamentação que nutre, é a voz que passa segurança, é o cheiro que conforta, é o colo que acalma o choro. É a mãe.

Sempre fiz questão de estar presente em todos os momentos importantes, inclusive nos momentos de dor. Vacinas, furar orelhinha, tirar sangue... Dá licença que é a mamãe que segura. Achava, e acho, importante que eles vejam que estarei sempre ao lado deles, que nos momentos de dor a mamãe sempre estará ali, segurando a mão deles. Que não dá para anular a dor, mas que dá pra passar segurança e conforto. Que sofrer às vezes é necessário, mas é passageiro.

Sei que é difícil tirar um tempinho só pra gente. Ainda mais quando se é mãe de gêmeos. Passava 17 horas ininterruptas numa poltrona de amamentação. Nas outras horas tratava de me cuidar, curtir o marido e... dormir!!

Na maioria das vezes não conseguia dormir mais de duas horas seguidas, mas tentava! Fechava a porta do meu quarto, deixava o leitinho fresco e pedia ajuda: "Marido, babá, por favor, preciso dormir, descansar". Sabia que isso era necessário para me recompor, produzir leite e ter uma relação saudável com os meus filhos.

Sempre encarei que os meus filhos não eram um fardo e sim uma benção. Então, não era pra sofrer e sim pra ser feliz. Depois de uma consulta ao pediatra, onde ele me viu exausta, muito angustiada por não aceitar entrar com o complemento da amamentação, ele me alertou: "aceite ajuda, tente descansar para curtir os seus filhos. Uma mãe estressada, exausta, não irá fazer bem para o filho".

Os meus filhos sempre me trouxeram só felicidade. Me cerquei de cuidados e de ajuda e tratei de relaxar!

Aos 4 meses, mesmo com o coração na mão, voltei a trabalhar. Conseguia voltar para amamentar no almoço, saia mais tarde de casa e mais cedo do trabalho. Uma rotina flexibilizada em função dessa adaptação.

Um mês depois, Rodrigo não quis mais o peito e, mais um mês, foi a vez da Rafa. Isso doeu... Chorei, como nunca tinha chorado. Nunca chorei de desespero, de achar que não ia dar conta. Chegava ao meu limite do cansaço, mas era suportável. Mas o desmame foi arrebatador. Dois dias chorando e culpando a minha vida profissional. Depois vi que era a evolução natural das coisas. Que eles estavam crescendo e já tinham outras necessidades.

Sempre me trabalhei para não ser uma mãe neurótica. Mas culpa sempre esteve ao meu lado. No último mês de gestação, o meu obstetra me falou: "Olivia, sempre que um bebê nasce, vem com ele o sentimento de culpa. Está incluso no pacote, esteja preparada pra isso". É a mais pura verdade!! rs

Me sentia culpada por não estar 100% dedicada a um filho, visto que, ao mesmo tempo, eu tinha outro precisando da mesma atenção. Tinha culpa por trabalhar fora e ficar longe dos meus filhos durante o dia... Posso dizer que sou muito realizada como mãe e como profissional, mas a culpa sempre esteve do meu lado.

Ainda estou aprendendo a lidar com ela. Estou aprendendo que é preciso me dividir e me multiplicar. Adoraria poder levar e buscar os meus filhos todos os dias na escola. Adoraria almoçar diariamente com eles. Adoraria sempre dar banho neles. Mas tenho que reconhecer que não posso, que preciso de ajuda.

Em contrapartida, tomo café da manhã com eles, falamos durante o dia e à noite o meu tempo é nosso. Falamos sobre como foi o dia. Como foi na escolinha, tudo que aconteceu. Trocamos presentes (normalmente, flores rs). Lemos livros, desenhamos, assistimos algum filme, brincamos de Lego, fazemos teatrinho... Escovo os dentes, os ponho na cama, conto estorinhas... Eles dormem e eu sigo feliz.

Não tem felicidade maior que começar e terminar o dia com os meus filhos. O que acontece nesse meio tempo só alimenta a nossa vontade de ficar junto e o nosso repertório de vida. Hoje vejo que é importante também essa separação. Para que eles se desenvolvam em outras comunidades (escola, natação, amiguinhos...) e para que eu me realize profissionalmente. O que eu faço, como eu me comporto, o que eu leio, o que eu digo e o que eu vejo são também heranças, referências importantes, que eu deixo para os meus filhos.

3 anos se passaram nessas linhas acima. Com eles eu vivi muito mais coisa do que nos outros 31 somados. Engravidei, me despedi do meu pai, virei mãe, conheci o amor incondicional, aprendi a conciliar a maternidade com a profissão, me separei, mudei de estado, de casa, de emprego... Aprendi bastante e vejo que esse não é nem o começo.

Tantos desafios bons pela frente. As crianças estão cada dia mais gostosas e eu amo cada vez mais a maternidade! Ela me ensinou que eu tenho que estar bem comigo para estar ainda melhor com os meus filhos. Obrigada, crianças, vocês me ensinam, me alegram e me fazem melhor sempre.

Ah...! Que mãe eu sou?

A que eu consigo ser. Com todo o meu amor e com toda a minha culpa. E com a compreensão de que não precisa ser perfeito para ser ótimo.

http://www.macetesdemae.com/2014/04/carta-de-uma-mae-que-trabalha-fora-para-uma-mae-em-tempo-integral-e-vice-versa.html




16 de jun. de 2014

"Como educar meninas?"





Uma enxurrada de reportagens, livros, blogs e afins pode ser encontrada facilmente com a pretensiosa lição de "como educar meninas". Não sou psicóloga, muito menos pedagoga. Mas, na condição de mãe de um casal, digo, com propriedade, que acho tudo isso uma grande besteira.


Não existem regras e métodos diferentes para cada sexo. Isso é ficar preso ao passado, é querer separar o mundo em gêneros. A questão é: como educar seres humanos, futuros cidadãos. Como educar filhos. E não como educar meninos ou meninas.



Sei, naturalmente, das diferenças naturais dos gêneros. Vejo essas diferenças aflorarem e se desenvolverem à medida que o meu casal de gêmeos cresce. Mas, muito mais que essas diferenças, vejo que ambos têm desejos, vontades, sonhos e necessidades. E tudo isso é maior do que qualquer especificação de gênero.



A educação é a mesma. Ambos têm o direito de aprender e, depois, fazer as suas próprias escolhas.





O filme abaixo é uma tentativa para estimular os pais a não desestimularem as suas filhas. Ele revela que a maioria das meninas se interessam genuinamente por ciência e matemática, mas que pouquíssimas desenvolvem habilidades na área das ciências exatas, em função da educação que, ainda hoje, muitos pais dão para suas filhas, separando o que "deveria" ser coisa de menino e coisa de menina.



Claro que sabemos que ainda vivemos numa sociedade machista, claro que vivenciamos a ditadura da beleza, especialmente para as mulheres, claro que eu também não estou imune a isso. Minha filha usa lacinho no cabelo, o meu filho não. Mas ambos brincam de boneca e jogam futebol. Ambos desenvolvem as suas habilidades e se ajudam. Não existe uma tarefa diferente para cada. E eles serão sempre estimulados a serem interessados, curiosos e confiantes. Pois a felicidade só se alcança em momentos de realização.






9 de jun. de 2014

Porque pai é tão importante quanto mãe



Falo muito em ser mãe. Da mágica, da entrega, da culpa, das dificuldades, do amor descomunal e da intensa realização. Como disse Fiorella Mannoia, cantora italiana, no belo show que assisti ontem no teatro Castro Alves, "toda mulher é um pouco mãe".  Mas será que eu posso dizer a mesma coisa dos homens? Será que a praticidade do homem deixa espaço para a complexidade que é exercer a paternidade? Será que o imediatismo conversa com a paciência?

Tenho lindos exemplos que mostram que a paternidade é sublime também e exercida com muito amor e dedicação. Pais presentes, atenciosos, generosos, carinhosos e conscientes da enorme importância que têm na vida dos seus filhos. Porque ser pai é tão importante quanto ser mãe. Porque cuidar é tão vital quanto parir.

Olho para mim e vejo a tamanha importância que o meu pai teve (tem e sempre terá) na minha vida. Da escolha da profissão, ao gosto literário, passando pela música, culinária, viagens, bom humor e o jeito simples de enxergar a vida, de ver beleza em tudo. Pessoa queridíssima pelos amigos e amor insubstituível na minha vida. Meu pai, minha referência, minha inspiração. Não consigo imaginar a minha vida sem a intervenção dele. Esse post é uma declaração de amor a ele e um reconhecimento a todos os homens que se dedicam com amor e maturidade aos seus filhos.

Nós, mulheres, precisamos aceitar que ser mãe é sublime, mas não substitui o papel do pai. É preciso compreender o espaço que deve ser ocupado pelo pai, é preciso confiar e, às vezes, é preciso até solicitar a presença do pai. É comum as mães assumirem tudo sozinhas e excluírem o pai da intimidade com os filhos. Erro clássico, eu mesma fiz parte dessa estatística. Lembro do drama que eu passei quando o pai dos meus filhos quis viajar sozinho com Rodrigo. De cara, falei não. Ele retrucou, insistiu. Clima de tensão no ar. Pior, a viagem aconteceria no dia seguinte. De supetão, me pegou de surpresa.

Pensar na possibilidade de ficar longe do meu filho, espremia o meu coração até a última gota. 3 noites e 4 dias longe do meu filho era algo muito longe de qualquer possibilidade que eu pudesse suportar. Parece exagero? E quem algum dia ousou dizer que o amor de uma mãe por seu filho era menor que o maior exagero do mundo? Amor de mãe é mais do que exagerado: não tem limites. Sofri, chorei, fiquei insegura, ansiosa... Pirei.

Mas não podia proibir uma iniciativa tão apaixonada (e corajosa) do pai de viajar sozinho com o seu filhinho de apenas um ano e sete meses. Era preciso confiar, dar espaço. A solução foi: intensivão nele e avaliação final. Um dia sem babá, assumindo sozinho todas as tarefas, desde o preparo da papinha até o soninho, passando pelo banho, escovação de dentes e todas recomendações...  Amor, dedicação e confiança. E eu me rendi. Mas não sem resistência - o coração continuava divido com todos os sentimentos confusos dessa primeira separação, mas ao mesmo tempo sabendo que não tinha o direito de furtar essa rica experiência deles.

Malinha pronta e lá fomos nós. A despedida no aeroporto foi típica: mamãe aos prantos e filho indo embora, tranquilão, sem nem olhar pra trás. A viagem foi ótima. Soninho, leite e fralda... A recepção na Bahia foi cheia de carinho e o dia cheio de novidades. Os dois se saíram super bem. Ao final dessa turbulência de sensações, a única palavra que podia expressar o meu sentimento era orgulho. Orgulho do pai que buscou esse desafio. Orgulho do filho que se permitiu vivenciar essa experiência tão nova com toda receptividade. E orgulho (por que não?) da mãe que, apesar da insegurança, fez a escolha certa.

................

A carta abaixo, apesar de não ter sido escrita pelo meu pai, tem a sua caligrafia e o seu sentimento.

Querida filha,

Recentemente sua mãe e eu estávamos procurando por uma resposta no Google.  No meio do caminho de fazer a pergunta, o Google retornou uma lista com as buscas mais comuns no mundo. Empoleirado no topo da lista estava "Como mantê-lo interessado". Isso me assustou. Eu examinei diversos dos incontáveis artigos sobre como ser sexy e sensual, sobre quando trazer para ele uma cerveja versus um sanduíche, e os modos de fazê-lo se sentir inteligente e superior. Aí eu fiquei zangado.

Pequena, não é, nunca foi nem nunca será sua a tarefa "mantê-lo interessado". Filha, sua única tarefa é saber, bem no fundo de sua alma - naquele lugar inabalável que não está sujeito à rejeição, à perda e ao ego - que você vale o interesse... Se você confiar no seu valor dessa maneira, você vai ser atraente no sentido mais importante da palavra: você vai atrair um garoto que é ao mesmo tempo capaz de se interessar e que quer passar sua vida investindo todo o seu interesse em você. Pequena, quero dizer-lhe sobre o menino que não precisa que seu interesse seja mantido, porque ele sabe que você é interessante.

Eu não me importo se ele coloca os cotovelos sobre a mesa de jantar - contanto que ele coloque os olhos na forma como o seu nariz fica espremido quando você sorri. E aí ele não consegue parar de olhar. Eu não me importo se ele não puder jogar um pouco de golfe comigo - contanto que ele possa brincar com as crianças que você der a ele e deleitar-se em todas as formas gloriosas e frustrantes, o fato deles serem como você. Eu não me importo se ele não tiver a carteira cheia - contanto que ele tenha o coração cheio e que este sempre o leve de volta para você. Eu não me importo se ele é forte - contanto que ele lhe dê espaço para exercer a força que está em seu coração. Eu não poderia me importar menos em como ele vota - contanto que ele acorde todas as manhãs e diariamente a eleja para um lugar de honra em sua casa e para um lugar de reverência no coração dele. Eu não me importo com a cor de sua pele - contanto que ele pinte a tela de suas vidas com pinceladas de paciência e sacrifício, vulnerabilidade e ternura. Eu não me importo se ele foi criado nesta religião ou naquela religião ou sem religião -  contanto que ele tenha sido criado para valorizar o sagrado e saber que cada momento da vida, e cada momento da vida com você, é profundamente sagrado.

No final, Pequena, se você tropeçar em um homem como esse, e ele e eu não termos mais nada em comum, teremos a coisa mais importante em comum:

Você.

Porque no final, Pequena, a única coisa que você deve ter que fazer para "mantê-lo interessado" é ser você.

O cara eternamente interessado,

Papai

Crédito: http://drkellyflanagan.com/2013/04/17/a-daddys-letter-to-his-little-girl-about-her-future-husband/







2 de jun. de 2014

Como lidar com a frustração!



Eu percebo que a maneira com qual as pessoas lidam com as frustrações é o que, na prática, as diferencia. É escolher sofrer, amargurar ou processar e partir pra outra. 

Essa maturidade emocional define comportamentos: alimentar sofrimento, se vitimizar, não aceitar a frustração ou tomar alguma atitude para reverter esse desconforto, aceitando a frustração. É não gostar de sofrer, é cuidar de si mesmo, é não perder tempo se autodestruindo, é aprender a lidar com as emoções. E esse aprendizado determina muitas relações. 

Ele impacta diretamente na sua postura perante às pessoas e às dificuldades. Tenho reparado como a maioria das pessoas lidam com as frustrações, como elas potencializam os problemas, a quilometragem que elas dão às  situações de conflito. Não se conformam, não desapegam. Lutam, sofrida e freneticamente, para terem o final desejado por elas. São adultos mimados. São adultos que ainda não aprenderam a lidar com a frustração. 

E como sofrem com isso! Sou muito prática com os meus problemas. Procuro não fazê-los render muito e os resolvo na minha cabeça, independente se está resolvido na cabeça do outro. Sorry, não posso me responsabilizar pelo pensamento alheio. É egoísmo? Pode ser, mas não acho negativo e nem descaso. 

Acontece que já é uma luta resolver as nossas próprias neuroses, imagina se apropriar das neuroses dos outros? Deus me livre. Aprender a lidar com a frustração é uma lição que deve ser aprendida ainda na infância, embora a graduação só aconteça ao longo da vida.

Aproveito para indicar um texto muito bom sobre o tema: http://migre.me/jxRw1


24 de mai. de 2014

Fale menos "nãos" para seus filhos




Fale menos "nãos" para os seus filhos. Deixe eles se arriscarem mais, pois os desafios constróem a autoconfiança, qu...alidade tão importante para a difícil missão da vida. Mas continue falando os "nãos" necessários para educá-los, para mostrar as regras da boa convivência, para ensiná-los como serem prestativos, gentis e para garantir-lhes segurança. Fale os poucos nãos com firmeza e doçura, olhando nos olhos, para ensinar o jeito certo de fazer as coisas.

A função principal dos pais é dar aos filhos muito amor, ensinar valores e formar seres humanos sensíveis e capazes de enfrentar os desafios da vida. Tenho convicção disso, acho muito bonito na escrita, mas na prática, eu, mãe de primeira viagem de gêmeos, sei como é difícil. Pois todas essas lições moram nos inúmeros atos da rotina, como a difícil tarefa de fazer seus filhos obedecerem os todos os seus "nãos" e aceitarem fazer as coisas do seu jeito. Hoje, percebi na prática que a gente nunca será, para os outros, a mãe que pensa ser. Uma babá recém iniciada na minha casa me falou que eu falo poucos nãos. Talvez ela tenha razão. Mas aprendi que eu preciso ser a mãe que os meus filhos precisam que eu seja. Uma mãe para o Rô e outra para a Rafa. Cada um com as suas necessidades. Nunca serei a mãe modelo para ninguém. Gosto da relação que tenho com os meus filhos, embora saiba que, agora perto deles completarem 2 anos, a missão de educar será mais árdua. Não será fácil, ninguém mentiu pra mim; mas com dois ao mesmo tempo, de primeira viagem, o desafio se torna ainda maior. Me sinto feliz, abençoada e posso dizer que me sinto reparada para APRENDER! (Risos) Isso pra mim já é o suficiente, pois não tenho como saber de algo que eu nunca vivi e que (por mais que tentem) não se ensina nos livros. Paciência, muito amor e coração aberto.

Apesar de saber que as situações de conflito entre o querer deles e o meu poder serão afloradas a partir de agora, li a respeito que essa educação da primeira infância, até os 3 anos, é definitiva para estabelecer o padrão de comportamento das crianças. Então é importante a gente se ligar nisso... Ensine os seus filhos a ouvir, a conversar, pois assim terão mais chance de serem sensatos e compreensivos. Dê muito amor sempre, acima de qualquer coisa, pois assim serão mais sensíveis e receptivos ao amor, mais dispostos e sociáveis. Ensine valores, mostre o que é certo e errado, explique o significado das coisas, pois assim, terão mais chance de se tornarem seres humanos corretos, honestos, esclarecidos e de boa índole. Ensine as regras de convivência social, mostre como cumprimentar os outros, como se portar numa mesa, como respeitar o espaço dos outros, isso fará muita importância no futuro. Dê oportunidades aos seus filhos, permita que eles tenham autonomia (ainda que controlada), mostre o quanto eles são capazes de aprender e executar - sair da zona de conforto faz toda a diferença na construção da autoconfiança. Se possível, incentive que eles viajem, vá junto algumas vezes, incentive a leitura, mostre o quanto é importante o conhecimento e a experiência. Estude com eles, aprenda e ensine. Sobretudo, mostre que tudo e todos são fonte de aprendizado; não deixe que eles se guiem pela aparência, as lições da vida dos mais humildes são tão importantes quanto as acadêmicas dos mais letrados. Desenvolva a sensibilidade dos seus filhos para que eles percebam a grandiosidade da vida, pois nós pais não podemos cair na vaidade de querer filhos que apenas obedeçam as nossas ordens, e sim ponderar até que ponto essas "ordens" contribuem para o crescimento deles.


Pai e mãe são autoridades, por isso mesmo, saiba que mais importante que os seus filhos obedeçam, é que eles aprendam. Os pequenos "nãos" (aqueles falados por impulso ou para atender uma expectativa alheia) desobedecidos pelos meus filhos, não me incomodam (talvez incomodem mais aos outros, incluindo a minha novata baba). Eles são tão banais que hoje entendo que, para a própria autonomia e aprendizado deles, deveriam mesmo ser ignorados. Sei que é difícil, mas vou me policiar para não banalizar os "nãos" e mostrar a tamanha importância que eles têm nas nossas vidas, pois ensinar a superar a frustração talvez seja a mais difícil e importante das tarefas desta tão deliciosa jornada de ser mãe.




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