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16 de jan. de 2015

Vida que segue!


Janeiro é o mês mais especial do ano pra mim. É quando eu comemoro cada ano de vida dos meus filhos e meu como mãe. Tenho que celebrar o dia quando tudo começou. Quando eu peguei Rô e Rafa no colo pela primeira vez, quando vi as carinhas deles, quando eu descobri um sentimento doido de imenso e intenso. Lembro como se fosse hoje, do dia que eu cheguei na maternidade. Ansiosa, com medo do parto, insegura sobre o impacto que aquele dia teria na minha vida. Deitei na maca e fui. Fomos. 

Anestesia ok. Parto divertido, leve. Nunca estive tão feliz e tranquila. Primeiros choros (de muitos! kkk). Dois bebês me sendo apresentados, como charutinhos enrolados. Algum tempo sem filhos, sozinha, na sala de recuperação pós-parto. Fiquei bem, senti a presença do meu pai e descansei. Fui para o quarto e os bebês chegaram em seguida. A ficha caiu: sou responsável pela vida de duas pessoas! Será que eu vou dar conta? Eita... Uma pontinha de desespero me desconcertou. Aquele mal jeito para as primeiras mamadas. Eles e eu no processo de adaptação. E eram tão lindos (continuam sendo! rs) que eu já não conseguia me desgrudar deles.

Ida pra casa. Frio na barriga. Agora somos nós, sem a orientação médica. Noites sem dormir direito, rotina puxada de amamentação. Trabalho que não acabava mais. Amor sem fim. Só por isso, conseguimos. 

Volta ao trabalho, outro aprendizado. Difícil para eles e para mim esse desgarramento. Beeem difícil. Mas a vida tem que aos pouquinhos ir seguindo. Conseguimos vencer essa fase também. 

Desmame. Aff, essa foi a pior pra mim. Me senti rejeitada quando os bebês não quiseram mais o peito. Chorei, chorei. Segurei o choro e entendi que a vida continua seguindo. 

Ida para a escola. Misto de insegurança (será que vão cuidar bem dos meus filhos? Será que eles vão ficar bem?) com orgulho (ok, tudo tá dando certo. Estamos conseguindo!). Cada conquista dos filhos, também é uma conquista dos pais. 

Divórcio. Mudança para Salvador. Insegurança domina. O amor combate. E a vida continua. Segue completamente nova de tudo: novo estado, nova cidade, nova casa, nova escola... Mãe e pai sempre presentes, unidos acima de qualquer rompimento. Conseguimos novamente! 

A vida mudou e continuou sendo bastante generosa conosco. Adaptação total, família grande, muito amor e aconchego. Hoje comemoramos quatro anos de muita aventura! A vida é diferente a cada dia e sempre mostra que esse é o segredo. 

Somos fortes para encarar o novo. Gostamos de desafios. Assumimos riscos para sermos felizes. É a vida que segue. Nova, generosa, nos provocando e nos desafiando o tempo todo. Estamos juntos e isso transforma qualquer desafio em aprendizado. 

Feliz 4 anos!! Só agradeço e peço saúde para continuarmos a nossa deliciosa aventura!! 

(Foto: aniversário de 4 anos da Rafa e do Rô. Ou melhor, da princesa Aurora e do Batman!)



26 de nov. de 2014

Chegada!



No dia em que o conselho tutelar nos avisou que tínhamos ganho a guarda provisória foi uma festa. Muita emoção. Achamos melhor irmos no dia seguinte, porque assim poderíamos passar na escola em que eles estavam estudando e pegar a transferência.

A despedida do abrigo foi emocionante e triste ao mesmo tempo. Muitas crianças que estavam lá queriam ter a mesma sorte deles e irem para um lar. Eles vieram com pouquíssimas roupas, daí tivemos de comprar de urgência. Como somos marinheiros de primeira viagem, fomos ao shopping mais próximo de casa e que frequentamos. Conselho: nunca façam isso. Mas não tínhamos outra opção. Não sabíamos as numerações deles. Pagamos caro, mas compramos emergencialmente de toalhas de banho a vestido. Passando por meias, cuecas e calcinhas.

As compras seguintes foram mais tranquilas e bem menos dispendiosas. Risos. A gente aprende. Aprendemos que temos de dividir as roupas de ficar em casa das roupas de sair. E criança gasta muita roupa mesmo. Outra coisa que descobrimos é como roupa infantil é cara.
Queríamos muito saber o porquê. Muitas vezes é mais cara que roupa de adulto.

Os primeiros dias com as crianças em casa foram amistosos. Nem nós sabíamos como tratar direito, nem as crianças sabiam como nos tratar. E começaram a nos chamar de tio, ou pelo nome mesmo. A Maria Eduarda, que tem 5 anos, come de tudo, o Isaías, de 10 anos, que não gosta de tudo.

Nesse início, eles comiam muito e muito rápido. Chegaram a passar mal. Conversamos com eles que não precisavam fazer assim e que comessem o necessário e se quisessem depois poderiam comer. E quando fosse comer, que comessem devagar.

Desde então, ficamos sempre de olho neles com relação à refeição, às comidas fora de hora. Eles não são muito fãs de refrigerantes, adoram suco e frutas, o que tem nos facilitado bastante.

A convivência tem sido bastante divertida, gratificante, enriquecedora e muito mais. Apesar de estarmos juntos há mais ou menos dois meses, parece que eles sempre estiveram em nossas vidas. Sempre.

Marcelo Dalcom






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